Lesão Muscular de Adutor

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Uma das lesões mais freqüentes no mundo do Futebol surgiu novamente na última semana, desta vez apareceu em 2 grandes jogadores no futebol brasileiro, Rafael Sóbis atacante do Internacional e Deco meia do tricolor carioca sofreram lesão no músculo adutor nestes últimos dias.

Segundo o médico do Internacional Carlos Poisl, a lesão de Sóbis não é grave, mas pode deixar o jogador de fora da partida com o Emelec válida pela Copa Libertadores. Já o departamento médico do Fluminense afirmou que a lesão do meia Deco é considerada grave e o atleta não tem previsão de retorno aos gramados.


Então vamos tentar entender um pouco sobre essa lesão:

A lesão muscular de adutores é uma das principais causas de Pubalgia no meio esportivo e é uma das mais lesões mais freqüentes na prática esportiva em todo o mundo, acometendo principalmente os atletas de futebol no Brasil e jogadores de Hockey no gelo nos Estados Unidos.

O grupo muscular é composto por 6 músculos: Pectíneo, Adutor Longo, Adutor Curto, Adutor Magno, Grácil e Obturador Externo. Destes o músculo mais comum lesionado é o Adutor Longo e existem algumas explicações para este fenômeno, vários autores afirmam que ele é o mais acometido por ser o músculo mais superficial e por ter uma menor junção miotendínea. A lesão geralmente ocorre durante a alteração da fase de contração excêntrica para concêntrica, uma das fases do chute no futebol.

Após a lesão o atleta poderá apresentar um quadro de dor súbita na região interna da coxa, que pode se estender até a região medial do joelho e/ou abdominal baixa, dependendo do local, da intensidade e severidade da lesão.

Fatores de Risco: Alguns estudos têm mostrado que déficit de força e flexibilidade de adutores são grandes causas de estiramento dessa musculatura, outro fator de risco encontrado em jogadores de futebol foi a redução da amplitude de movimento (ADM) de abdução de quadril, ou seja, atletas que possuem uma redução da ADM de abdução de quadril tem um maior risco de desenvolverem lesão de adutores. A lesão prévia é considerada como o principal fator de risco, por isso um atleta que desenvolva uma lesão de adutor deve ser cuidadosamente tratado para minimizar as chances de recidiva de lesão.

Prevenção: A prevenção deste tipo de lesão deve ser feita com exercícios de alongamento visando o ganho de flexibilidade, exercícios para o fortalecimento desta musculatura em cadeia cinética aberta e fechada, trabalho de estabilização central através do fortalecimento e ativação dos músculos do CORE.

Como tratamos: o tratamento imediato deve ser realizado com protocolo PRICE, e também é extremamente importante que o atleta esteja ciente do grau da lesão sofrida e da necessidade que haverá do mesmo permanecer em repouso nos primeiros dias pós lesão.

O principal objetivo do Fisioterapeuta do esporte na fase inicial da lesão é promover a analgesia e controle do quadro inflamatório. Para tais, existem diversos recursos dentro da Fisioterapia como, eletroterapia, termoterapia (crioterapia) e técnicas da Terapia Manual por exemplo.

A progressão do tratamento irá depender do grau da lesão e deverá ser iniciado um trabalho de fortalecimento e ativação da musculatura profunda, os músculos do CORE, que tem a função de estabilizar o tronco durante os movimentos dos membros superiores e inferiores. Com a evolução do tratamento e progressão dos estágios da lesão outros objetivos se tornarão o foco do Fisioterapeuta como o ganho de força e flexibilidade da musculatura lesionada.


Obs. O fortalecimento e ganho de flexibilidade devem ser iniciados e realizados com critério respeitando o quadro álgico e a fase de cicatrização da lesão.

Dica do especialista: A técnica de Kabat é muito utilizada e pode ajudar no ganho de força e até mesmo de flexibilidade de atletas com esse tipo de lesão.

O tempo de retorno ao esporte irá variar muito de acordo com o grau da lesão e pesquisas apontam que em lesões mais leves (grau I e II) o atleta terá seu retorno com cerca de 4 a 8 semanas e em lesões mais graves (III) o atleta irá retornar as atividades em um período de 8 a 12 semanas.

Vale ressaltar que todo paciente é único então não se prenda a esse tempo.



Ft. Igor Phillip


Referências:
Nicholas e Stephen, Adductor Muscle Strains in Sport. 2002.
Williams. Osteitis Pubis and Instability of the Pubic Symphysis. 2000.